
consciousness
Fundamental Peace: Um Farol de Thích Nhất Hạnh nas Estradas do Vietnam
Estou viajando pelo Vietnam agora — a terra que deu ao mundo Thích Nhất Hạnh, carinhosamente conhecido como Thầy, "professor". E continuo notando algo: o Vietnam não me pede para ser calmo. O Vietnam me pede para estar vivo.
20 de janeiro de 2026·Luis Miguel Gallardo·8 min de leitura
AI insights
Estou viajando pelo Vietnam agora — a terra que deu ao mundo Thích Nhất Hạnh, carinhosamente conhecido como Thầy, "professor".
E continuo notando algo: o Vietnam não me pede para ser calmo. O Vietnam me pede para estar vivo.
Scooters fluem como cardumes de peixes. As calçadas tornam-se cozinhas, conversas, comércio e bondade. A fumaça do incenso sobe em orações finas de templos escondidos ao lado do comum. E no meio de todo esse movimento, os ensinamentos de Thầy retornam como uma luz constante:
A paz não é algo que alcançarei mais tarde. A paz é o que pratico agora.
Thầy escreveu e ensinou durante uma vida inteira — mais de cem livros, inúmeras palestras, inúmeras xícaras de chá oferecidas em silêncio e presença.
E quando reúno a essência de tudo isso — quando a reduzo ao que posso carregar em uma mochila e em uma respiração — o que encontro não é uma filosofia complicada.
Encontro uma forma de ser humano que não abandona ninguém — nem a mim mesmo, nem ao estranho, nem à Terra.
Este é o coração da minha abordagem de Fundamental Peace: não a paz como um estado de espírito, mas a paz como um fundamento. Não a paz como desempenho, mas a paz como prática. Não a paz como "minha vida interior privada", mas a paz como a própria maneira como toco o mundo.
Feixe Um: Pare de correr. Chegue.
Thầy ensinou o mindfulness como um tipo de retorno — retornar ao corpo, à respiração, à única vida que está realmente acontecendo: esta.
Ele ofereceu práticas tão simples que não podem ter direitos autorais da mente: respire, caminhe, sorria, perceba.
E uma das frases mais poderosas que já carreguei é um gatha de caminhada da sua tradição:
“Eu cheguei. Estou em casa… no aqui, no agora.”
Casa não é um edifício. Casa é o momento em que paro de fugir da minha vida.
Portanto, nas ruas do Vietnam, meu primeiro movimento de Fundamental Peace não é consertar nada. É chegar.
- Chegar a uma esquina.
- Chegar à sensação de calor, umidade, chuva.
- Chegar ao som de uma língua que não entendo totalmente.
- Chegar ao meu próprio sistema nervoso — antes de pedir qualquer outra coisa dele.
Fundamental Peace começa com a coragem de estar aqui.
Feixe Dois: Mindfulness é um caminho, não uma ferramenta
Thầy nos alertou (gentilmente, é claro): se tratarmos o mindfulness como uma ferramenta para conseguir outra coisa — sucesso, produtividade, status — perderemos o sentido. Mindfulness não é um truque. É um modo de viver, e é inseparável de como agimos.
Essa linha sozinha remodela toda a minha abordagem:
- Fundamental Peace não é algo que eu “uso” para me sentir melhor.
- Fundamental Peace é algo que vivo para poder ser livre — agora mesmo — sem precisar que o mundo coopere.
Isso também significa: o mindfulness não é neutro. Se for real, torna-se naturalmente ético.
Feixe Três: Ética que você pode realmente praticar
Thầy traduziu a ética para a vida diária através dos Cinco Treinamentos de Atenção Plena — uma expressão moderna e não sectária enraizada nos preceitos de Buda, destinada a trazer o mindfulness para todas as áreas da vida.
Eles não são mandamentos. São uma bússola.
Eles me guiam para:
- Reverência pela vida — reduzindo a violência em mim, nos meus relacionamentos e na sociedade.
- Verdadeira generosidade e justiça — não explorando os outros.
- Amor e sexualidade responsáveis — protegendo a confiança e a dignidade.
- Escuta profunda e fala amorosa — restaurando a comunicação.
- Consumo consciente — não ingerindo toxinas para o corpo e para a mente.
Quando viajo, esses Treinamentos tornam-se extremamente práticos.
- Como eu negocio.
- Como eu falo quando estou cansado.
- O que eu clico, o que eu assisto, o que eu alimento minha mente à noite.
- Que tipo de “souvenirs” eu levo — objetos ou compreensão.
Fundamental Peace não é delicada. Ela se sustenta em um mercado, em uma rodoviária, em uma conexão perdida, na decepção.

Feixe Quatro: Interser — sua paz não é separada
O ensinamento de Thầy sobre o interser (um termo que ele cunhou) é como acender uma luz na própria visão de mundo: eu não sou um eu separado caminhando por um mundo de "outros". Eu sou um relacionamento. Sou feito de condições. Eu inter-sou com tudo.
Isso não é apenas poesia. É uma prática.
O interser muda a forma como olho para uma tigela de arroz.
Muda a forma como olho para uma garrafa de plástico.
Muda a forma como olho para a pessoa que me frustra.
Porque se realmente “inter-somos”, então a compaixão não é opcional. É o correto.
Fundamental Peace, então, não é “minha calma interior”. É uma forma de ver que torna a gentileza a resposta natural.
Feixe Cinco: Comunicação é trabalho pela paz
Thầy falou com políticos, ativistas, famílias, estranhos — qualquer pessoa que quisesse ouvir — e voltava sempre à mesma verdade: a violência é alimentada por percepções errôneas, e o remédio é a escuta profunda, o mindfulness e a comunicação gentil.
Isso é revolucionário ao viajar, porque viajar traz atrito:
- mal-entendidos
- normas diferentes
- estresse
- fadiga
- medo
Portanto, pratico a paz no nível onde as guerras começam: na fala e na percepção.
Tento ouvir assim:
- não ouvir para responder
- não ouvir para vencer
- ouvir para entender que dor, medo ou esperança podem estar por trás das palavras
E quando falo, pratico a “fala farol”:
- simples
- respeitosa
- não dramática
- não agressiva
- não projetada para dominar
Se quero paz no mundo, começo fazendo as pazes nas conversas.
Feixe Seis: Não desperdice seu sofrimento — transforme-o
Thầy nunca ensinou que deveríamos ser positivos o tempo todo. Ele ensinou que podemos lidar com nosso sofrimento — reconhecê-lo, abraçá-lo, olhar profundamente para ele — para que ele mude de forma.
Fundamental Peace não é entorpecimento. É intimidade com a vida.
Quando a solidão me visita na estrada, posso tratá-la como uma inimiga — ou como um sino de mindfulness:
- Olá, solidão. Eu sei que você está aí.
- Eu respiro com você.
- Eu olho profundamente: o que você está pedindo? descanso? conexão? gentileza?
É assim que a paz se torna estável: não evitando a dor, mas transformando nossa relação com ela.

Feixe Sete: A comunidade é abrigo — Começar de Novo é uma ponte
Até o viajante mais forte precisa de refúgio. Thầy enfatizou a Sangha — comunidade — porque a prática individual é real, mas a prática coletiva é o que nos sustenta.
E um dos presentes comunitários mais práticos de sua tradição é o Começar de Novo — uma prática projetada para cultivar a fala gentil e a escuta compassiva, e para restaurar a conexão.
Mesmo se estiver viajando sozinho, posso praticar seu espírito nos meus relacionamentos:
- Apreciação primeiro (nomear o que é bom e verdadeiro)
- Arrependimento sem auto-ódio (assumir meus momentos inabilidosos)
- Partilha honesta sem culpa (expressar minhas necessidades, minha mágoa, minha esperança)
Fundamental Peace não finge que não teremos conflitos. Ela nos dá um caminho de volta.
Feixe Oito: Amor engajado — paz para a Terra, paz para a sociedade
O mindfulness de Thầy nunca teve o objetivo de encolher nosso mundo. Tinha o objetivo de ampliar nosso coração até que incluísse a Terra.
Ele ensinou que não podemos separar os seres humanos do meio ambiente, e que responder às crises exige mais do que tecnologia — exige comunidade, cooperação e uma mudança profunda na forma como vivemos.
E ele colocou de forma simples: precisamos acordar e nos apaixonar pela Terra.
Portanto, Fundamental Peace não é passiva. Ela tem pulso.
Ela pergunta:
- Como minhas escolhas reduzem o dano?
- Como meus passos se tornam orações pelo solo que me carrega?
- Como ajo sem transformar minha raiva em um novo tipo de violência?
Este é o feixe de luz mais profundo do farol: a paz que brilha para fora porque está enraizada no interior.
Meu ritual de viagem Fundamental Peace no Vietnam
Quando minha mente fica barulhenta, não preciso de um retiro longo. Preciso de uma pequena prática que possa fazer em qualquer lugar — em um trem, em um café, à beira-mar, ao lado do muro de um templo.
Aqui está o ritual que estou carregando:
1) Três respirações para chegar
- Inspirando: Eu chego.
- Expirando: Eu suavizo.
- Inspirando: Estou aqui.
- Expirando: Não estou correndo.
2) Dez passos conscientes
Caminho devagar por dez passos — sem telefone, sem destino por dez passos — apenas para lembrar que a paz é uma forma de caminhar.
Se precisar de palavras, uso:
“Eu cheguei. Estou em casa.”
3) Um ato de “fala farol”
Cada dia, ofereço uma frase que seja limpa e gentil:
- “Obrigado.”
- “Sinto muito.”
- “Por favor, vá em frente.”
- “Eu não entendo — você pode me mostrar?”
- “Isso foi útil.”
4) Um momento de interser
Escolho uma coisa comum — chá, chuva, arroz, uma árvore — e olho por tempo suficiente para ver que ela é feita de todo o mundo.
5) Uma escolha que reduza o dano
Alguns dias é o consumo. Alguns dias é a paciência. Alguns dias é não postar algo maldoso.
Deixo os Treinamentos guiarem-me de volta a uma vida que protege e cura.

Encerramento: o farol não está à minha frente — está nos meus passos
Thích Nhất Hạnh entrou para a vida monástica no Vietnam quando jovem, e seus ensinamentos cresceram numa comunidade mundial de prática — sempre retornando ao básico: respire, caminhe, ouça, ame.
É por isso que isso funciona na estrada.
Porque um farol não discute com tempestades.
Ele não persegue navios.
Ele simplesmente permanece aceso — firmemente — para que os viajantes possam encontrar seu caminho.
Minha abordagem de Fundamental Peace, inspirada por Thầy, é a mesma:
- Quando estou perdido, retorno à respiração.
- Quando estou disperso, retorno aos passos.
- Quando estou endurecido, retorno à escuta.
- Quando estou só, lembro-me do interser.
- Quando me sinto impotente, escolho uma ação ética — uma pequena bondade — um momento de cuidado.
E então continuo caminhando.
Porque a paz não está esperando por mim no fim da jornada.
A paz é cada passo.
Plum Village Community of Engaged Buddhism, Inc.Wake Up Schools
Field notes to your inbox
Stay connected to the shift.
Monthly essays from the Observatory, invitations to Fests and Academy cohorts. Written from abundance — never urgency.