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Podemos Criar uma Sociedade Feliz?

"A felicidade não é algo pronto. Ela vem de suas próprias ações". – Dalai Lama Imagine dois tipos de sociedades. Em uma sociedade, as pessoas estão estressadas, infelizes, tensas, irritáveis e autocentradas. Em outra, as pessoas estão à vontade, felizes, tranquilas e compassivas. A diferença entre estas

19 de agosto de 2021·Luis Miguel Gallardo·5 min de leitura

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“A felicidade não é algo pronto. Ela vem de suas próprias ações”. – Dalai Lama

Imagine dois tipos de sociedades. Em uma sociedade, as pessoas estão estressadas, infelizes, tensas, irritáveis e autocentradas. Em outra, as pessoas estão à vontade, felizes, tranquilas e compassivas. A diferença entre essas duas sociedades é evidente e vasta. As pessoas tendem a estar mais satisfeitas na última sociedade. Espera-se também que sejam mais saudáveis, seguras e tenham melhores relacionamentos. 

A diferença entre um país feliz e um infeliz não é algo trivial. Então, como podemos criar uma sociedade feliz? Os países escandinavos tendem a se sair bem neste assunto. Eles geralmente atendem aos pré-requisitos do World Happiness Report para a felicidade nacional – apoio social, renda, expectativa de vida saudável, confiança em seu governo, liberdade e generosidade. Não é de admirar que eles estejam tipicamente no topo dos rankings globais de felicidade.

Outros países como Butão, Reino Unido e Nova Zelândia seguem o exemplo. O Butão foi o primeiro país a criar uma política baseada na felicidade de seus cidadãos, alegando que a Felicidade Interna Bruta (FIB) é uma medida de prosperidade e progresso mais importante do que o Produto Nacional Bruto (PNB). Em 2010, o Reino Unido desenvolveu um programa nacional de bem-estar, enquanto a Nova Zelândia introduziu o ‘orçamento de bem-estar’, com a intenção de melhorar o bem-estar de seus cidadãos mais vulneráveis. Esses exemplos nos mostram que é possível mudar até os lugares mais infelizes, desde que seus líderes estejam dispostos a fazê-lo.

No entanto, nem todos os países são felizes. Sejam desenvolvidos ou não, ricos ou pobres, alguns países falham em garantir a felicidade de seu povo. Os resultados do World Happiness Report e de outras pesquisas mostram que, globalmente, os líderes de tais países falham em focar na felicidade de seu povo, e a história nos ensina que governos que não colocam a felicidade em primeiro lugar correm o risco de serem varridos. Ed Diener, um famoso professor de psicologia na University of Utah e na University of Virginia, observa que a felicidade é responsabilidade tanto do estado quanto do indivíduo. Nossos governos e formuladores de políticas podem facilitar a busca da felicidade, mas é o indivíduo quem deve segui-los. 

Isso nos traz de volta à importância da consciência. Ser (auto)consciente nos permite identificar nossos pensamentos, ações e comportamentos. Ao sermos autoconscientes, podemos entender quem somos, como os outros nos veem e qual é o nosso papel na sociedade. Nossa felicidade depende dessa habilidade, bem como da habilidade de ser socialmente consciente.

A consciência social está enraizada na compaixão e na empatia. Ser socialmente consciente significa entender como nossa sociedade funciona, quais são seus problemas, lutas, culturas e normas. Ser socialmente consciente é sair de uma bolha pessoal para ouvir e cuidar dos outros. A consciência social nos ajuda a aumentar a positividade, formar relacionamentos saudáveis, nos ensina a valorizar os outros e as coisas que temos, reduz o julgamento e aumenta a simpatia e a tolerância.

Como a educação desempenha um papel essencial na socialização e na felicidade das pessoas, escolas e universidades também devem ter um papel crucial no esforço de aumentar a felicidade em uma sociedade. Por quê? Porque, além de serem produtoras de conhecimento, as instituições educacionais são responsáveis por transformar os estudantes em membros produtivos e valiosos da sociedade. Elas também ajudam as pessoas a criar vidas significativas e felicidade sustentável. 

Além de melhorar o padrão de vida econômico e educacional, os formuladores de políticas também devem pensar em maneiras de aumentar a felicidade e o bem-estar das sociedades, fortalecendo seus sistemas de saúde. Isso é lógico, já que a saúde é um dos fatores mais importantes da felicidade humana. Múltiplos estudos mostraram que pessoas felizes têm um sistema imunológico melhor, um risco menor de diabetes e doenças cardíacas e menos dores crônicas. Pessoas felizes também vivem mais. Políticas focadas na felicidade e no bem-estar podem levar a melhores resultados de saúde, o que pode, em última análise, melhorar o desempenho do sistema de saúde.

Também precisamos pensar na inclusão social e no empoderamento das pessoas. A inclusão social é o que mantém a sociedade unida. Através do empoderamento social, as pessoas podem ter maior controle sobre suas vidas e viver como gostariam. No entanto, isso requer um certo padrão de saúde e educação para ser plenamente realizado.

Esses elementos são cruciais para criar uma sociedade decente e feliz. Eles são indicadores de como podemos construir sociedades ainda melhores no futuro. 

Uma Sociedade Mais Feliz é Possível

“De que serve uma bela casa se você não tem um planeta tolerável para colocá-la?” – Henry David Thoreau

Estamos todos conectados a um mundo mais amplo através de nossas comunidades. É senso comum querer tornar nossa comunidade, sociedade e o mundo um lugar melhor para todos vivermos.

Para criar uma sociedade feliz e próspera, precisamos desenvolver e apoiar programas de incentivo que beneficiem as pessoas ao nosso redor, mesmo quando não nos beneficiam pessoalmente. Se quisermos aumentar a felicidade da sociedade, tais incentivos e programas precisam ser adotados por governos, organizações locais e internacionais, e por todos que desejam uma sociedade mais feliz. 

Happytalism trata de fazer essa mudança para uma sociedade mais feliz, onde as pessoas possam levar vidas felizes, equilibradas e significativas. No entanto, embora a ideia seja clara, ela requer uma mudança social e cultural considerável. O objetivo do Happytalism é reunir pessoas que acreditam que podemos criar um mundo melhor e encorajá-las a fazer o máximo que puderem para aumentar a felicidade e o bem-estar dos outros.

Queremos ajudar a criar sociedades que coloquem a felicidade de seu povo em primeiro lugar. Queremos encorajar as pessoas a abandonar comportamentos egoístas, autocentrados, materialistas e sem sentido, e direcioná-las para um modo de vida mais amoroso. Nosso objetivo é inspirar outros a levar vidas plenas e ajudá-los a fazer mudanças positivas em seus lares, locais de trabalho, escolas e comunidades.

A felicidade que queremos cultivar na vida das pessoas não é apenas aquela que pode ser encontrada e perdida num instante, mas uma felicidade com poder de permanência. Podemos ter que trabalhar duro pela felicidade no início, mas uma vez alcançada, ela se torna mais fácil e natural com o tempo — um objetivo que vale a pena.

Leia a parte 1 da Série – Felicidade em um Mundo Infeliz

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